A pandemia global causada pelo novo coronavírus obrigou grande partes das empresas a “empurrarem” seus funcionários para o trabalho remoto em casa, já que muitas das tarefas corporativas podem ser realizadas com um computador (e alguns softwares específicos) e uma boa conexão à internet.

Acontece que as empresas mandaram seus funcionários para casa e, de quebra, mandaram também uma série de protocolos e programas para monitorarem seus empregados.

Por exemplo, existem aplicativos sendo instalados que tiram uma foto via webcam a cada 10 minutos para certificar que o funcionário está em frente ao computador. Outro é capaz de gravar as teclas, mouse e sites visitados durante o expediente.

E não para por aqui. Há também um programa que realiza vídeos do desktop do empregado. Há alguns, ainda mais sofisticados, que medem as interações entre os funcionários e cruzam com outros dados para medir “quem é mais produtivo”.

Mas uma startup chamada Enaible está desenvolvendo um software com base em aprendizado de máquina que calcula quanto tempo um funcionário leva para realizar determinada tarefa e, pasmem, dá dicas de como concluí-la de maneira ainda mais rápida e eficiente, ou seja, monitorando cada pequeno passo do empregado.

Tudo isso gera uma gama de relatórios que listam os funcionários mais bem pontuados – e os menos pontuados também. O resultado? O chefe tem em mãos quem ele deve manter e quem deve – ou pode – ser demitido. A dadificação da relação entre trabalho e empresa estã aí.

E é claro que o projeto vem levando uma série de críticas que geralmente tocam o respeito à privacidade e a violação de direitos individuais. Outros, no entanto, acreditam que o uso de inteligência artificial nesse tipo de processo pode acelerar a sepração do joio do trigo no “bom sentido”, ou seja, algoritmos poderiam fazer o trabalho pesado e repetitivo enquanto humanos seriam realocados para tarefas mais criativas e complexas.

Como traz a Technology Review, o tema é polêmico e ainda requer muito estudo, avaliação e regulamentação. A ideia veio apra ficar, sim, mas o modo como ela tem sido implementada, sobretudo em meio ao caos gerado pela pandemia, pode abrir brechas sem precedentes para uma vigilância desesfreada e descontrolada.

Vale ressaltar que, recentemente, IBM e Amazon suspenderam seus projetos de reconhecimento facial com base em inteligência artificial justamente por concluírem, após pesadas críticas, que tais recursos estavam violando direitos básicos.