Muitas vezes, quando pretendemos analisar e traçar alguns cenários possíveis para o jornalismo digital, nos esquecemos de olhar não somente para o jornalismo em si, mas também para a plataforma em que é inserido. Nesse caso, assim como desenha o professor e pesquisador Carlos Nepomuceno, a internet trabalharia como um suporte digital, e não apenas como uma nova mídia. Aliás, o próprio termo “novas mídias” já se encontra tão reacionário quando questionar se o jornalismo irá ou não acabar um dia. Novo, etimologicamente falando, é algo criado recentemente, que existe há pouco tempo, e esse não é o caso da mídia digital, que já se consagra como fundamental meio de produção e recepção de conteúdo na sociedade atual.  

Nesse contexto, variam conceitos de mídia e plataforma quando o tema central é a internet. Internet é mídia ou suporte? O jornalismo digital trabalha em uma plataforma digital, diferente da analógica, ou é algo produzido dentro de uma mídia chamada internet? Essa discussão é, sim, benéfica para o jornalismo, pois coloca novos olhares sobre um assunto não tão novo, mas que ainda rende bons frutos quanto à sua adequada adaptação online.  

Adaptação essa que, por exemplo, requer uma convergência de diversas mídias em um único suporte que ofereça a livre transição do usuário, uma plataforma que tenha como princípio um propósito midiático em um ambiente digital para o estabelecimento de um cenário de interface multimidiática, porém não necessariamente como mídia.  

Cenário multimídia  

A possibilidade que a internet traz na integração de diferentes mídias e suporte para inúmeros players coloca em questão seu conceito como “nova mídia” ou “mídia digital”. Até que ponto, então, uma mídia sendo trabalhada dentro de outra mídia é uma nova mídia? A televisão trabalha o audiovisual, assim como o rádio o som e o jornal se consagrou com o texto. As maneiras como as mídias ditas tradicionais eram produzidas, comercializadas e consumidas podem, para fins de esclarecimento, serem classificadas como suporte, e não plataforma.    

Explico. Nessa linha de pensamento, teríamos o suporte audiovisual, o suporte sonoro e o suporte textual como exemplos, sendo trabalhados dentro de uma plataforma analógica. Porém no caso da internet, talvez esses conceitos de suportes estejam ultrapassados, já que ela trabalha, ao mesmo tempo, com todos os suportes integrados entre si, além de modificar a maneira como tais mídias são produzidas, distribuídas e consumidas.  

Toda mídia sucessora se integra com a mídia antecessora, a completa. Isso ocorreu no caso do jornal, do rádio e da televisão. Porém com a internet ela não só integra como concilia todos os meios midiáticos até então conhecidos pelo homem. Absolutamente quase todos os tipos de suportes são possíveis de serem trabalhados de maneira jornalística no ambiente digital, formulando um cenário multimídia de interface, como já citado anteriormente.  

Agregador de mídias  

Com isso, o jornalismo, como um dos varios gêneros dentro dos diversos tipos de mídia, é trabalhado de dezenas de maneiras midiáticas dentro da plataforma internet, do conceito do digital, dando ao jornalismo online uma consolidação como atuação midiática conglomerada dentro da internet, e não apenas para a internet. Há os que questionam a produção de conteúdo, como vídeos e textos, exclusivamente para a rede mundial de computadores. Porém vale lembrar que tanto o texto como o vídeo são mídias, dentro da internet ou não, produzidos para a internet ou não.  

Portanto, talvez o jornalismo digital deva ser pensado como um agregador de mídias, produzindo informação para suas diferentes maneiras de atuação dentro da internet. A produção de conteúdo digital, de maneira digital, é um dos pontos mais evidentes de que a internet – enquanto plataforma digital para o jornalismo – oferece a possibilidade de integração de todos esses meios em um mesmo séquito comunicacional, e por isso não pode ser única e exclusivamente ser caracterizada (a internet) como mídia. Internet sem mídia não é nada. No futuro, jornalismo sem internet também não será nada.  

Texto no Observatório da Imprensa.